{"id":7324,"date":"2023-04-09T11:44:00","date_gmt":"2023-04-09T14:44:00","guid":{"rendered":"https:\/\/psaa.com.br\/credito-de-carbono-como-o-brasil-pode-e-deve-ser-pioneiro-nesse-novo-mercado\/"},"modified":"2023-07-04T22:31:29","modified_gmt":"2023-07-05T01:31:29","slug":"credito-de-carbono-como-o-brasil-pode-e-deve-ser-pioneiro-nesse-novo-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psaa.com.br\/en\/credito-de-carbono-como-o-brasil-pode-e-deve-ser-pioneiro-nesse-novo-mercado\/","title":{"rendered":"Cr\u00e9dito de carbono: Como o Brasil pode (e deve) ser pioneiro nesse novo mercado?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>By Money Times<\/strong><\/p>\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2023-04-09T11:44:00-03:00\">09\/04\/2023<\/time><\/div>\n<p><\/p>\n\n<p><strong>Para especialista da FGV Agro, o pa\u00eds tem condi\u00e7\u00f5es de ser refer\u00eancia no mercado de carbono em fun\u00e7\u00e3o de seus instrumentos institucionais<\/strong><\/p>\n\n<p>O <strong><a href=\"https:\/\/www.moneytimes.com.br\/tag\/brasil\">Brasil<\/a><\/strong>conta com compromissos ambientais no que se refere as pr\u00e1ticas que precisam come\u00e7ar a ser implementadas j\u00e1 no presente para que elas possam ser cumpridas dentro do prazo.<\/p>\n\n<p>O primeiro se refere a redu\u00e7\u00e3o de 50% das emiss\u00f5es de carbono do pa\u00eds at\u00e9 2030, compromisso firmado na 26\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (<strong><a href=\"https:\/\/www.moneytimes.com.br\/tag\/cop26\/\">COP26<\/a><\/strong>). Para 2050, a meta do pa\u00eds \u00e9 neutralizar suas emiss\u00f5es de carbono.<\/p>\n\n<p>Uma das formas de incentivo a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases do efeito estufa (GEE) s\u00e3o a partir dos cr\u00e9ditos de carbono. De forma geral, um cr\u00e9dito de carbono representa a redu\u00e7\u00e3o ou remo\u00e7\u00e3o de uma tonelada m\u00e9trica de di\u00f3xido de carbono (CO2) ou outro g\u00e1s do efeito estufa equivalente.<\/p>\n\n<p>Esses cr\u00e9ditos s\u00e3o negociados no chamado mercado de carbono, onde as empresas que precisam cumprir metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es podem compr\u00e1-los de outras empresas ou organiza\u00e7\u00f5es que implementaram medidas para reduzir suas pr\u00f3prias emiss\u00f5es. No entanto, o <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/propostas-legislativas\/2270639\">Projeto de Lei 290\/2020, que regulamenta o mercado no Brasil, ainda n\u00e3o foi aprovado. <\/a> <\/p>\n\n<p>O <strong>Agro Times <\/strong>entrevistou Andr\u00e9 Passos, advogado especializado em direito do agroneg\u00f3cio e professor na FGV, para falar sobre os cr\u00e9ditos de carbono e esse crescente mercado, assim como o papel de protagonismo do Brasil nessa pauta da sustentabilidade. Confira.<\/p>\n\n<p><strong>Agro Times: O que s\u00e3o cr\u00e9ditos de carbono e qual o mercado por tr\u00e1s desse ativo?<\/strong> <\/p>\n\n<p><strong>Andr\u00e9 Passos:<\/strong> Eu costumo chamar os cr\u00e9ditos de carbono de um \u201cdireito de poluir\u201d, estabelecido no Protocolo de Kyoto em 1997. Ele, basicamente, refletia a antiga divis\u00e3o internacional do trabalho entre pa\u00edses ricos e pobres.<\/p>\n\n<p>Os pa\u00edses ricos discutiram atrav\u00e9s de um protocolo da Rio-92 a defesa do desenvolvimento sustent\u00e1vel. E, em Kyoto, surgiu essa discuss\u00e3o para estabelecer um pre\u00e7o por esse \u201cdireito de poluir\u201d. Dessa forma, os pa\u00edses desenvolvidos poderiam reduzir suas emiss\u00f5es de GEE\u2019s e atingir metas, sem, de fato, precisar de uma redu\u00e7\u00e3o efetiva. Isso s\u00f3 come\u00e7a a ser tratado na COP21, que aconteceu em 2015 em Paris.<\/p>\n\n<p>O cr\u00e9dito de carbono nasce como um mecanismo invertido de r\u00e9plica da antiga divis\u00e3o internacional do trabalho entre pa\u00edses e ricos e pobres.<\/p>\n\n<p>A ideia dos pa\u00edses ricos era de continuar poluindo, porque isso significava atividade econ\u00f4mica aquecida, aumento do PIB e prosperidade, mantendo os pa\u00edses pobres como sat\u00e9lites, recebendo um valor marginal para cederem seu direito de desenvolvimento para pa\u00edses poluidores.<\/p>\n\n<p>Foram criadas metodologias na aferi\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos, com o desenvolvimento de um mercado para os cr\u00e9ditos, que \u00e9 basicamente um mercado volunt\u00e1rio.<\/p>\n\n<p>J\u00e1 existem tratados, principalmente na Europa com companhias a\u00e9reas, para redu\u00e7\u00e3o efetiva das emiss\u00f5es de GEE\u2019s. Ou seja, existe um mercado mais aquecido a partir do que foi estabelecido na COP21 e na COP26, mas, de certa forma, n\u00e3o \u00e9 um mercado obrigat\u00f3rio, ou seja, as pessoas aderem por op\u00e7\u00e3o, por relat\u00f3rios e balan\u00e7os sociais, ou ambientais. <strong>O ESG (Governan\u00e7a ambiental, social e corporativa) est\u00e1 na moda entre as empresas.<\/strong><\/p>\n\n<p>Em pa\u00edses como a Holanda, onde h\u00e1 uma quest\u00e3o geogr\u00e1fica, com os mares rompendo diques, existem linhas de cr\u00e9dito de bancos internacionais, com fundos espec\u00edficos para incentivar esse tipo de projeto e a compra desses direitos credit\u00f3rios.<\/p>\n\n<p>A Noruega tamb\u00e9m conta com fundo similares, um pa\u00eds que vive muito do petr\u00f3leo, da extra\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis, mas ao mesmo tempo \u00e9 uma social democracia do norte da Europa e h\u00e1 toda essa necessidade da preserva\u00e7\u00e3o do meio-ambiente e da geografia local.<\/p>\n\n<p>Os cr\u00e9ditos de carbono entram nesse contexto global, j\u00e1 que desde a Guerra na Ucr\u00e2nia, toda ordem internacional verde foi desafiada mais uma vez, j\u00e1 que os pa\u00edses, em virtude do conflito, passam a queimar mais combust\u00edveis f\u00f3sseis, e isso vem na contram\u00e3o dessa ordem jur\u00eddica verde internacional, que vem sendo estabelecida desde a RIO-92 at\u00e9 a COP27 ano passado no Egito.<\/p>\n\n<p><strong>Agro Times: Apesar da demanda crescente, as compras dos cr\u00e9ditos de carbono n\u00e3o s\u00e3o vistas como uma \u2018solu\u00e7\u00e3o definitiva\u2019 para a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. Como alinhar a quest\u00e3o desse mercado emergente, ao mesmo tempo que grandes empresas e pa\u00edses emissores de GEE\u2019s precisam cortar suas emiss\u00f5es?<\/strong><\/p>\n\n<p><strong>Andr\u00e9 Passos:<\/strong> Essa \u00e9 a \u201cpergunta de 1 milh\u00e3o de d\u00f3lares\u201d. Apenas a redu\u00e7\u00e3o dos GEE\u2019s n\u00e3o s\u00e3o suficientes para reduzir o que os cientistas chamam de aquecimento global. Al\u00e9m dessa quest\u00e3o h\u00e1 pontos como a redu\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, a quest\u00e3o do consumo global, a import\u00e2ncia da \u00e1gua para o meio ambiente e os processos de dessaliniza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua.<\/p>\n\n<p>Quando n\u00f3s falamos disso, n\u00f3s voltamos l\u00e1 atr\u00e1s, em Thomas Malthus, do \u201cMalthusianismo\u201d. Ele dizia que o crescimento populacional seria em proje\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica, enquanto o crescimento da produ\u00e7\u00e3o de alimentos se daria em proje\u00e7\u00e3o aritm\u00e9tica. No entanto, Malthus n\u00e3o contava com a revolu\u00e7\u00e3o verde, com a capacidade da inova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n\n<p>A grande quest\u00e3o \u00e9 entender como esses mecanismos v\u00e3o contribuir e concorrer para alcan\u00e7armos essas metas, e consiga em todos os mecanismos, mas n\u00e3o s\u00f3 os de redu\u00e7\u00e3o de GEE\u2019s. As pessoas que apostam na ci\u00eancia, na capacidade de evolu\u00e7\u00e3o dos mecanismos, nas pesquisas, na dessaliniza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, na agricultura regenerativa, no georreferenciamento, acreditam que essa equa\u00e7\u00e3o, esse ponto de equil\u00edbrio chegar\u00e1 atrav\u00e9s de um conjuga\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas e dos entes privados.<\/p>\n\n<p>Existem pol\u00edticas p\u00fablicas que s\u00e3o internacionais ou pol\u00edticas de governo, e existem a\u00e7\u00f5es privadas, e uma delas \u00e9 o mercado.<\/p>\n\n<p>Atualmente, existe uma exig\u00eancia dos consumidores por produtos com menor ambiental como por exemplo uma \u201ccarne verde\u201d, com produ\u00e7\u00e3o de gado a partir da Integra\u00e7\u00e3o Lavoura-Pecu\u00e1ria-Floresta (ILPF), que pr\u00f3prio <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/agricultura\/pt-br\">Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa)<\/a> patrocinou e j\u00e1 est\u00e1 sendo implementado, al\u00e9m da \u201csoja verde\u201d e a implementa\u00e7\u00e3o de normas de governan\u00e7a ambiental do Cadastro Ambiental Rural (CAR)<\/p>\n\n<p>Enfim, a combina\u00e7\u00e3o de todas essas pol\u00edticas p\u00fablicas, a\u00e7\u00f5es de governos junto com entes privados que buscam uma governan\u00e7a mais verde, tende a resultar em um equil\u00edbrio no futuro da produ\u00e7\u00e3o verde. Os cr\u00e9ditos de carbono e a C\u00e9dula de Produto Rural (CPR) Verde v\u00e3o contribuir com isso atrav\u00e9s dos incentivos financeiros que representam.<\/p>\n\n<p><strong>Agro Times: Como tramita a pauta dos cr\u00e9ditos de carbono no Brasil? Como tem sido o trabalho da legisla\u00e7\u00e3o brasileira a respeito do tema?<\/strong><\/p>\n\n<p><strong>Andr\u00e9 Passos: <\/strong>Recentemente, eu comentei acerca dos Pagamentos por Servi\u00e7os Ambientais, os cr\u00e9ditos de carbono e a CPR Verde. Essas pautas tem tramitado, as solu\u00e7\u00f5es institucionais e legislativas, as solu\u00e7\u00f5es de pol\u00edticas p\u00fablicas tem sido dadas.<\/p>\n\n<p>Obviamente que temos uma quest\u00e3o muito similar ao que foi o desenvolvimento da soja no Cerrado, que \u00e9 a quest\u00e3o da <strong>tropicaliza\u00e7\u00e3o das tecnologias. <\/strong>O segredo da revolu\u00e7\u00e3o verde no Brasil passa pela tropicaliza\u00e7\u00e3o de culturas de clima temperado atrav\u00e9s de pesquisas, tecnologias e do desenvolvimento gen\u00e9tico pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa).<\/p>\n\n<p>A ideia \u00e9 fazer com que a soja, por exemplo, ocupe outras \u00e1reas, al\u00e9m das subtropicais, o que chamamos de tropicaliza\u00e7\u00e3o da soja, e isso precisa ser feito com outras commodities.<\/p>\n\n<p>A necessidade da tropicaliza\u00e7\u00e3o de tecnologias verdes, de m\u00e9tricas de carbono, faz com que a gente tenha o mesmo desafio da conquista do Cerrado da soja na d\u00e9cada de 70, quando a Embrapa investiu nessas novas tecnologias.<\/p>\n\n<p>Institui\u00e7\u00f5es como a pr\u00f3pria FGV, atrav\u00e9s do Observat\u00f3rio de Bioeconomia, tem criado m\u00e9tricas e solu\u00e7\u00f5es, sobre como o cr\u00e9dito de carbono funciona, para gerir essas informa\u00e7\u00f5es e gerar conhecimento necess\u00e1rio para esse novo paradigma de <strong>tropicaliza\u00e7\u00e3o dessas m\u00e9tricas de carbono<\/strong>, que nasceram em protocolos internacionais, e s\u00e3o basicamente emolduradas, controladas e feitas por pa\u00edses de clima temperado.<\/p>\n\n<p>O Brasil, diferentemente destes pa\u00edses, pode alavancar esses processos atrav\u00e9s de institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa, e com institui\u00e7\u00f5es privadas a partir do cr\u00e9dito de carbono, da CPR Verde e do programa de Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais (PSA).<\/p>\n\n<p><strong>Agro Times: Como est\u00e1 sendo realizado o trabalho do Brasil na regulamenta\u00e7\u00e3o do mercado de carbono? Podemos ser pioneiros e refer\u00eancia no tema?<\/strong><\/p>\n\n<p><strong>Andr\u00e9 Passos: <\/strong>As m\u00e9tricas dos cr\u00e9ditos de carbono s\u00e3o internacionais, mas quando falamos de produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel, obedi\u00eancia as normas ambientais, de um CAR extremamente moderno, ILPF, de produ\u00e7\u00e3o integrada, recupera\u00e7\u00e3o de pastagens degradadas, ou a pr\u00f3pria CPR verde, vemos que o Brasil institucionalmente e tecnicamente tem condi\u00e7\u00f5es de assumir a frente desse processo.<\/p>\n\n<p>O Brasil, mais do que a \u00c1frica subsaariana, tem condi\u00e7\u00e3o de ser refer\u00eancia nos cr\u00e9ditos de carbono, j\u00e1 que a regi\u00e3o africana n\u00e3o conta com os instrumentos institucionais como o do Brasil. S\u00e3o pa\u00edses que come\u00e7aram um processo de independ\u00eancia na d\u00e9cada de 70, ou seja, h\u00e1 muitos instrumentos jur\u00eddicos e pol\u00edticos que precisam ser desenvolvidos para a regi\u00e3o alcan\u00e7ar esse n\u00edvel de evolu\u00e7\u00e3o sobre o tema, apesar das similaridades geogr\u00e1ficas.<\/p>\n\n<p>O Brasil tem a vantagem do territ\u00f3rio tropical, das tecnologias agr\u00edcolas, al\u00e9m de marcos regulat\u00f3rios efetivos para uma economia de baixo carbono.<\/p>\n\n<p>A partir da tropicaliza\u00e7\u00e3o da nossa agricultura, par\u00e2metros t\u00e9cnicos est\u00e3o sendo desenvolvidos para que o Brasil entregue sustentabilidade n\u00e3o por trocas diretas de carbono no mercado volunt\u00e1rio, atrav\u00e9s de <strong>benef\u00edcios ecossist\u00eamicos<\/strong> para a sociedade como um todo, que n\u00e3o est\u00e3o materializados nesses cr\u00e9ditos, como a preserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, \u00e1gua, manuten\u00e7\u00e3o do regime de chuva, solu\u00e7\u00f5es que o Brasil \u00e9 capaz de entregar.<\/p>\n\n<p>Agro Times: N\u00f3s temos metas relevantes para 2030 e 2050 na quest\u00e3o ambiental, com o carbono zero. Como o mercado de carbono e essas metas coexistem? Elas n\u00e3o acabam entrando em conflito?<\/p>\n\n<p><strong>Andr\u00e9 Passos: <\/strong>Eu n\u00e3o acredito nesse conflito por conta do potencial da tropicaliza\u00e7\u00e3o das m\u00e9tricas de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono. Toda nova tecnologia come\u00e7a devagar, e depois que ela \u00e9 exponenciada, facilita o processo, tornando barato e pr\u00e1tico, assim, eu acredito que essas metas possam ser cumpridas, no entanto, a combina\u00e7\u00e3o de todos esses par\u00e2metros t\u00e9cnicos far\u00e3o toda a diferen\u00e7a para alcan\u00e7armos essas metas de 2030 e 2050.<\/p>\n\n<p>Al\u00e9m dessas, n\u00f3s temos como meta alimentar 2 bilh\u00f5es de pessoas at\u00e9 2050, sendo que hoje alimentamos cerca de 800 milh\u00f5es de pessoas, e a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer isso preservando o meio-ambiente, ou seja, \u00e9 preciso trabalhar cada vez mais com uma produ\u00e7\u00e3o verde, para que essas metas de redu\u00e7\u00e3o de carbono em 2030 e 2050 seja uma consequ\u00eancia do nosso papel de produzir alimentos de forma sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n<p><strong>Agro Times: Qual o papel das empresas, principalmente as grandes companhias listadas na B3, no mercado de carbono? <\/strong><\/p>\n\n<p><strong>Andr\u00e9 Passos: <\/strong>\u00c9 fundamental. O mercado \u00e9 volunt\u00e1rio, e obviamente os consumidores exigem cada vez mais produtos com impacto ambiental menor.<\/p>\n\n<p>As empresas precisam olhar seus neg\u00f3cios no longo prazo, \u00e9 preciso cuidar da cadeia e nos impactos como um todo, e os mecanismos como as CPR\u2019s Verde e os cr\u00e9ditos de carbono s\u00e3o ferramentas fant\u00e1sticas para que as empresas participem desse processo.<\/p>\n\n<p>A ideia \u00e9 que as companhias n\u00e3o comprem apenas os cr\u00e9ditos, mas sim produzam e fomentem todo seu entorno de fornecimento at\u00e9 sua cadeia multiplicadora do impacto ambiental, do chamado \u201cnet zero\u201d, ou at\u00e9 mesmo o \u201cnet positivo\u201d no balan\u00e7o verde.<\/p>\n\n<p><strong>Agro<\/strong><strong> Times: Como os produtores rurais e investidores podem se beneficiar com o mercado de carbono? <\/strong> <\/p>\n\n<p><strong>Andr\u00e9 Passos: <\/strong>Os produtores rurais tem tudo para se beneficiar desse mercado por conta com a CPR Verde e cumprirem a legisla\u00e7\u00e3o ambiental atrav\u00e9s do CAR. Nada mais natural que o produtor rural, ao capturar esses benef\u00edcios, materialize isso atrav\u00e9s de t\u00edtulos.<\/p>\n\n<p>Parte desses benef\u00edcios sociais que ele entrega sobre a forma difusa de benef\u00edcios ecossist\u00eamicos, ele captura sobre forma de margem, de ganho para reinvestir em sustentabilidade e como qualquer outro neg\u00f3cio, gerar cada vez mais ciclo positivo de alta. A medida que voc\u00ea expande essas tecnologia e reinveste na produ\u00e7\u00e3o, voc\u00ea consegue desbancar essa vis\u00e3o malthusiana, e cumprir as metas para 2030 e 2050, apesar delas serem significativas.<\/p>\n\n<p>Para o investidor, ainda \u00e9 um mercado novo, e ele gosta de seguran\u00e7a em muitos casos, mas outros gostam de oportunidades. Eu cito o exemplo das Americanas, para muitos, foi uma quest\u00e3o de perda, para outros, que compram na bolsa com pre\u00e7os mais baixos, \u00e9 uma oportunidade. Existem muitos investidores enxergando esses cr\u00e9ditos como oportunidade, um novo mercado com investimento em t\u00edtulos verdes<\/p>\n\n<p><strong>Agro Times: O que s\u00e3o as m\u00e9tricas internacionais?<\/strong><\/p>\n\n<p><strong>Andr\u00e9 Passos: <\/strong>As m\u00e9tricas internacionais existem para diminuir o impacto das emiss\u00f5es de carbono na constru\u00e7\u00e3o civil, no setor de transportes, seja a partir da redu\u00e7\u00e3o das viagens internacionais, ou pela troca de combust\u00edveis f\u00f3sseis por biocombust\u00edveis.<\/p>\n\n<p>S\u00e3o pautas que dizem respeito a uma economia diferente da atual, uma economia baseada na produ\u00e7\u00e3o rural, no sistema ILPF, na recupera\u00e7\u00e3o de pastagens, uma economia diferente da economia urbana dos pa\u00edses que come\u00e7aram comprando esses \u201cdireitos de poluir\u201d.<\/p>\n\n<p>O setor sucroalcooleiro j\u00e1 \u00e9 uma realidade e ele tem um papel fundamental nessa transi\u00e7\u00e3o, mas precisamos ter isso encadeado na cadeia como um todo.<\/p>\n\n<p><strong>Agro Times: Quais s\u00e3o os pa\u00edses que est\u00e3o na linha de frente do mercado de carbono?<\/strong><\/p>\n\n<p><strong>Andr\u00e9 Passos: <\/strong>O Brasil, sem d\u00favida alguma, muito em fun\u00e7\u00e3o do potencial, da regula\u00e7\u00e3o do CAR, do nosso agroneg\u00f3cio firme e sustent\u00e1vel, da legisla\u00e7\u00e3o, da exist\u00eancia da CPR Verde est\u00e1 nessa linha de frente. No entanto, n\u00f3s carecemos de um maior desenvolvimento de m\u00e9tricas para inserir mais produtos no mercado, mais cr\u00e9ditos de sustentabilidade.<\/p>\n\n<p>Al\u00e9m do Brasil, pa\u00edses do norte europeu em geral cumprem metas de redu\u00e7\u00e3o ambiental, at\u00e9 por conta das diretrizes da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n<p>Para o surgimento de um novo mercado, \u00e9 necess\u00e1rio demanda, m\u00e9tricas, capacita\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o, com isso, \u00e9 cada vez mais necess\u00e1rio essa educa\u00e7\u00e3o nas universidades, empresas e do pr\u00f3prio mercado olhar para profissionais preocupados com quest\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n<p><\/p>\n\n<p>Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.moneytimes.com.br\/credito-de-carbono-brasil-pioneiro-novo-mercado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.moneytimes.com.br\/credito-de-carbono-brasil-pioneiro-novo-mercado\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>By Money Times Para especialista da FGV Agro, o pa\u00eds tem condi\u00e7\u00f5es de ser refer\u00eancia no mercado de carbono em fun\u00e7\u00e3o de seus instrumentos institucionais O Brasilconta com compromissos ambientais no que se refere as pr\u00e1ticas que precisam come\u00e7ar a ser implementadas j\u00e1 no presente para que elas possam ser cumpridas dentro do prazo. 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