[:pt]Visto o significado do termo “Governança” e o porquê as organizações precisam da “Governança” para prosperarem e para terem continuidade e sustentabilidade no curto, médio e, principalmente, no longo prazo, podemos agora refletir sobre como uma empresa e/ou organização empresarial e familiar pode estabelecer um “processo” de governança.
Se teremos “Governança” então precisaremos de “regras de convivência” entre aqueles integrantes e/ou beneficiários – que no jargão da administração denominamos “stakeholders” – da organização empresarial familiar.
Tais regras podem e devem ser oriundas, não só da legislação, mas também das práticas da organização empresarial, do mercado em que atua a organização empresarial, mas, e, sobretudo, baseadas nos valores da família empresária e/ou das famílias empresárias que integram aquele negócio familiar a que se refere a “Governança” em questão.
E porque falamos de um “processo” de “Governança” e não somente de fundar, estabelecer a “Governança”? Porque “Governança” se exercita, se pratica, se procede e nunca é uma “obra” acabada. Governança é e sempre será uma obra em estado contínuo de aprimoramento e de construção de regras de convivência a serem obedecidas por todos os stakeholders do negócio familiar até porque uma empresa, qualquer empresa e/ou negócio ou até mesmo família é uma realidade dinâmica e em constante processo de transformação e aprimoramento e, por conta dessa decorrência lógica, que deriva da economia, do mercado e da própria família que cresce, se modifica e se aprimora no tempo, deve estar apta a acompanhar essas modificações de ordem estrutural e conjuntural.
E se há um “processo”, uma continuidade, uma transformação ao longo de tempo deve haver um começo, não? E se há um começo por onde começar?
Aí se insere o nosso dilema que está sendo tratado nessas breves linhas. Como fazer para se iniciar um processo de governança em uma organização empresarial e familiar?
Ora, o início, como o próprio empreendimento, desejo de empreender, nasce da necessidade prática de a família empresária ajustar as regras do processo de governança, ou seja, debruçar-se sobre as questões básicas que envolvem as normas de convivência já existentes, porém ainda não escritas, e na reflexão ensejadora e informadora das normas que já dirigem e que no futuro da família e da empresa vão reger, vão dirigir a vida dos integrantes daquele núcleo de pessoas e stakeholders envolvidos no processo de gestão e integração do grupamento familiar com a empresa familiar e vice-versa.
Tal processo usualmente é liderado, forjado e buscado por aqueles que são os líderes naturais da empresa familiar e/ou da família empresária vinculada ao empreendimento familiar.
Outras vezes, o processo decorre da necessidade de novos integrantes da família empresária e até terceiros virem a participar da gestão e, por conseguinte, do dia a dia do negócio familiar, na qualidade de sócios e/ou até mesmo herdeiros que venham a ter de regrar situações decorrentes de sucessão natural que porventura venha a ocorrer no futuro ou tenha ocorrido no passado recente.
Destarte, como “Governança” significa obediência a regras, sistemas de regras e comportamentos, “Governança” deriva então de uma atitude dos lideres em buscar um processo de estabelecimento dessas normas, processo que preveja como, quando e de que forma as relações entre os sócios e stakeholders se desenvolverão naquele “organismo familiar e empresarial” de modo a garantir que aquela fonte produtora de recursos perdure e que aqueles beneficiários, stakeholders, continuem a se beneficiar daqueles recursos econômicos derivados daquela realidade dinâmica chamada “empresa familiar”.
Assim é que o momento de se fazer e o como se fazer para se estabelecer um processo de “Governança” se entrelaçam e partem da liderança e do entendimento capazes de alavancar esse processo e se estabelecer as regras de convivência em prol da coletividade.
É como asseverado em outra oportunidade: “para que tenhamos certeza, num contexto de mudanças, benéfico ou até mesmo desafiador, de que os nossos patrimônios, as nossas vidas, as nossas comunidades e até mesmo as nossas empresas, de onde muitas vezes tiramos o nosso “ganha-pão”, o sustento de nossa vida e nossas famílias; terão alicerces fortes para continuarem, sobreviverem a nós mesmos ou até mesmo a circunstancias adversas do mercado da economia, da vida em geral, as quais todos estamos sujeitos”.
Enfim, a “Governança” que já definimos como uma “estrada para o futuro” das organizações é uma realidade que se auto impõe, mas que precisa da liderança, de diálogo, de consciência e “desprendimento” dos líderes e gestores da família empresária que devem liderar e estabelecer um processo a partir da percepção da necessidade de se estabelecerem seus mecanismos para que então instaurado o “processo de governança” esse seja continuamente aplicado e aprimorado para garantir a continuidade, o crescimento da empresa familiar, fonte da renda, prosperidade, sustentabilidade e, principalmente, entendimento entre os membros da família empresária e da empresa familiar.[:]