[:pt]E o ano já começou com tudo, não?[1] Pois é, quando achávamos que as empresas passariam a se preocupar com quem seria o próximo presidente dos Estados Unidos da América ou com os últimos tuítes de nosso presidente da república “lacrador”, o mundo então é “chacoalhado” pela epidemia do Corona vírus e por mais um “choque do petróleo”, muitos anos depois da “crise do petróleo” que deu origem às renegociações de dívidas de países emergentes através do chamado “Plano Brady”.[2]
Quando pensamos que após o “Megxit[3]” tudo estaria resolvido, vem aí mais uma “montanha russa de emoções” para a família empresária lidar na gestão de seus negócios e do patrimônio da família empresária. A bolsa brasileira caiu mais de 10% (dez por cento) em um único pregão e a cotação da moeda norte-americana, como diria o famoso jogador de futebol do Flamengo, Bruno Henrique, atinge “um outro patamar” e vai para a “casa” dos quase R$ 5,00 (cinco reais) por cada um dólar norte-americano.
Como toda ameaça também implica em oportunidade para os empresários e para os seus empreendimentos, a recente escalada das cotações do dólar norte-americano que inspiraram “metáforas” de toda ordem do atual ministro da fazenda brasileiro, podem gerar efeitos muito mais benéficos do que o adiamento da próxima viagem para as crianças conhecerem a “casa do Mickey Mouse” na Disneylândia.
Tais “rebalanceamentos” podem aumentar, e muito, as oportunidades de as empresas familiares finalmente desenvolverem um programa de expansão de seus negócios internacionais ou até mesmo aumentar a competitividade para o fornecimento de insumos, produtos acabados ou mercadorias a grandes empresas nacionais que terão de substituir os seus atuais fornecedores de Taiwan ou Hong Kong, dada a situação de comparação de preços entre produtos importados e similares produzidos em território nacional a partir de uma modificação abrupta nas cotações cambiais.
E o que a governança familiar tem a ver com isso? Tudo, absolutamente tudo!
Sem uma estrutura de gestão eficiente e regras para tomadas de decisão, convivência e governança que deem respaldo aos gestores de negócios para uma rápida e segura avaliação de riscos x oportunidades derivadas de novos cenários econômicos, órgãos de deliberação preparados a respaldar as decisões estratégicas e cotidianas e estrutura que permita aproveitar oportunidades de financiamento decorrentes de novas empreitadas e empreendimentos de maneira rápida, eficiente e segura; o empresário e/ou gestor da empresa familiar e dos interesses da família empresária não conseguirá atender à premência da demanda e aproveitar as janelas de oportunidades que se apresentam para os negócios familiares e para a família empresária em um cenário como esse.
As regras de convivência familiar e a governança empresarial, além das estruturas de planejamento empresarial e dos arranjos societários devem ser flexíveis e eficientes o suficiente para ajudar a empresa familiar e o empresário familiar a acompanhar tais “guinadas” e, ao fim e ao cabo, aproveitar as oportunidades que essas mudanças bruscas no mercado oferecem aos seus negócios no mundo empresarial.
Oportunidades como as que derivam, quase que instantaneamente, de cenários extremos como esses precisam ser aproveitadas de pronto e quem ocupa o espaço deixado por fornecedores estrangeiros se o fizer com eficiência, tenderá a permanecer naquela situação ganhando o espaço desse fornecedor para além da “janela de oportunidade” aproveitada, além de possibilitar consolidação para expansão futura dos negócios no ambiente nacional ou até mesmo internacional dos negócios ao qual a família empresária possa se expor com mais eficiência e flexibilidade.
Em outras palavras, para além do “chororô” de ter de adiar a visita ao Mickey Mouse, tais situações, se identificadas e geridas a partir de um planejamento empresarial robusto que começa com uma estrutura de governança eficiente, pode tornar o “churrasquinho na casa do cunhado” uma experiência muito mais agradável do que o empresário pode imaginar, servindo como “gatilho” para a empresa familiar prosperar em um ambiente de negócios cheio de desafios e de oportunidades.
[1] Vide o meu último artigo publicado na plataforma youShare.online
[2] Plano de reestruturação de dívidas de países emergentes altamente endividados após a escassez de recursos internacionais causada pela crise do petróleo nos anos 1.970 que fora desenvolvido e implementado pelo Secretário do Tesouro Norte-Americano Nicholas F. Brady na década de 1.980.
[3] Como ficou conhecida a recente crise na realeza britânica causada pelo desejo do príncipe Harry e de sua esposa não mais “aderirem” ao “establishment” e desvincularem suas atividades das obrigações da família real britânica.[:]