Diário de bordo II: os ecos do “brexit” e a família empresária

[:pt]Os ecos da reunião da IFA-International Fiscal Association – 2019, em Londres/UK ainda estão bastante vivos na youShare.online.

Como tratamos na última oportunidade, o aprendizado foi muito grande e ajudou-nos a situar e confirmar que os dilemas vividos pelas famílias empresárias brasileiras, discutimos na youShare.online diuturnamente, são da mesma espécie e intensidade que aqueles vividos pelas famílias empresárias e empresas familiares em um contexto global.

O “Brexit” ecoa na Inglaterra, em todo o Reino Unido, na Europa e na faixa mais à oeste do globo, o chamado “mundo capitalista desenvolvido” e até em um contexto mais global, envolvendo China, Japão e Oceania.

Nós aqui no Brasil, por outro lado, vivemos dilemas e inseguranças de mesma grandeza já que o acordo do Mercosul com a União Europeia está com sua execução diferida e em “suspenso” em meio a um sem-número de desencontros entre os principais governos dos dois blocos que disputam uma narrativa sobre a questão ambiental que interessa, no final das contas, a ambos (!?!?!), além de, no âmbito mais doméstico, ainda nos debatermos com uma necessária reforma do Estado Brasileiro, dentre elas, a da previdência que só não se transforma em regras – já que há consenso formado na sociedade – por conta de embates fragorosos, barulhentos e desnecessários entre instituições e poderes da república que, ao fim e ao cabo, em nada ajudam o ambiente econômico e de negócios.

O “Brexit” é nosso!!! Tal qual o “Petróleo era nosso” e a “Amazônia é nossa!!”, já que teimamos em continuar a exportar empregos, bom-senso e divisas, a despeito de termos uma atividade empresarial bem-sucedida, capitaneada por empresários familiares, empresas familiares dos mais diversos ramos de atividade existentes no país; notadamente do agronegócio brasileiro, que produzem, lucram, investem, mas que, todavia, a despeito da falta de presença do Estado naquilo que é o básico, ou seja, regras funcionais de governança da nação que propiciem previsibilidade e, portanto, segurança jurídica para quem empreende e faz negócios, nossa economia ainda anda em “voos de galinha”.

É ou não a nossa versão do “Brexit” ou o “Brexit” ecoando em terras tupiniquins?

Essa situação de insegurança jurídica absoluta que na Inglaterra beira às raias do desarvoro, já que se aproxima a data limite (31/10/19) e até agora União Europeia e Governo do Reino Unido não chegaram a um acordo sobre os termos da saída da Grã-Bretanha da União Europeia, deixando os cidadãos britânicos e europeus que investiram, fazem negócios e geram empregos, sem a mínima previsibilidade sobre quais regras se aplicarão aos seus negócios, famílias, bens e vidas após 31/10/19, gerando um “vácuo” de regras e de governança não só indesejável, mas até mesmo perigoso, aqui se manifesta de outras formas como vimos acima.

Como empregar, empreender, investir, contratar, fazer negócios, comprando ou vendendo, se não se sabe o que vale ou não vale como regra?

Esse dilema tem que ser ultrapassado e vivido já que empresas e famílias empresárias sobrevivem às crises, guerras e até mesmo, muitas das vezes, às revoluções, onde o “vácuo” de normas e regras de negócios e até de poder é muito mais intenso e profundo.

Qual a solução? Mais governança, mais coesão, mecanismos supra empresarias e acordos multilaterais, além de muito bom senso e visão de gestão financeira, de riscos, de gente, gestão comercial, gestão de informações, contratos e muita estratégia aplicada aos negócios.

Nesse caso o dilema não é nem somente aquele da letra da música: “Como será o amanhã”, como vimos no último artigo[1], mas, principalmente, “como podemos construir o amanhã” em um contexto desses, tanto em nível global, quanto aqui no Brasil, para os nossos negócios familiares e para as nossas famílias empresárias.

É isso que continuaremos a discutir juntos em nosso próximo texto que, tal qual este, vem de longe e foi construído e anotado página a página de nosso diário de bordo de mão, um bloquinho de notas velho, com capa “judiada”, mas que nos acompanha desde aquela viagem para contar um pouquinho da história dela e dos acontecimentos e de lá, para as famílias empresárias e empresas familiares daqui de além-mar.

Até a próxima e um “bom Brexit” para todos nós!

[1] Vide artigo publicado nessa mesma plataforma em 16/09/2019, de nossa autoria, intitulado: “Diário de Bordo: Governança e Tributação Internacional. Como será o amanhã?”

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André Ricardo Passos de Souza