[:pt]Ícone do liberalismo econômico[1] Adam Smith preconizava um “estado mínimo”, ou seja, a não-intervenção do Estado na economia levaria as nações à prosperidade já que os capitais privados, mais eficientes que os recursos do Estado na alocação eficiente de recursos financeiros e econômicos, levaria a sociedade capitalista à prosperidade e à abundância sem precedentes na história.
Por outro lado, John Maynard Keynes[2], outro economista de origem britânica, nascido, porém, no século XIX, mas um pensador econômico extremamente importante do início do século XX e que vivera seu auge no pós-crise de 1.929, pensava exatamente de forma oposta a Adam Smith. Keynes preconizava que o Estado deve exercer um papel fundamental na indução e execução das políticas públicas que, a partir daí, “moldaria” e “influenciaria” diretamente os modelos de produção e por sua vez, “controlaria” os mercados, induzindo, ao fim e ao cabo, o crescimento econômico dos Estados, exercendo assim um papel de “balanceador” e de “amortecimento” às crises cíclicas de superprodução e contração de demanda, próprias do sistema liberal capitalista.
A essa altura o leitor deve estar se perguntando: “E o que raios esses dois pensamentos/escolas de pensamento econômico tem a ver com empresas familiares, famílias empresárias e governança de empresas/organizações que são o objeto principal dos debates na Plataforma youShare.online?”
Infelizmente a situação que vivemos atualmente nas nossas vidas, nas nossas empresas, no mundo como um todo, causada a partir da pandemia da COVID-19[3], hoje não nos deixa muitas alternativas.
Com efeito, como havíamos tratado anteriormente, a situação não nos deixa maiores alternativas a não ser o “#FicaEmCasa” pra tentarmos, no mínimo, “achatar a curva” da pandemia para que a Organização Mundial da Saúde – OMS e os Estados-Nação possam entender melhor a situação e traçar planos para o combate à pandemia.
Nessa situação inédita, então, estes Estados-Nação, ou seja, os diferentes países do contexto e “concerto global”, passaram do “dia pra noite” a ter que dirigir as suas economias através de “expansão fiscal”, ou seja, “imprimindo dinheiro” aos moldes “Keynesianos” e financiando e provendo recursos financeiros diretamente às famílias de trabalhadores, mães e pais de família e às empresas (de todos os portes, tamanhos, tipos e setores).
E de onde virão esses recursos financeiros para arcar com esse esforço fantástico de muitos trilhões de dólares norte-americanos no somatório dessas despesas e políticas públicas mundo afora?
Virão (e já estão vindo, vide programas brasileiros já em execução como o “Auxílio Emergencial aos Trabalhadores Informais”) dos tesouros nacionais dos diferentes países do globo, das organizações multilaterais internacionais, como, por exemplo, o Fundo Monetário Internacional – FMI.
E como então essa dinheirama vai retornar ao Estado ou até mesmo ser “levantada” pelos governos e entidades para distribuição/financiamento dessas políticas públicas?
Lembremos que um Estado na ordem capitalista somente se financia de duas formas: (i) obtendo receita pública através da tributação das riquezas produzidas pela sociedade; e/ou (ii) através da emissão de dívida pública que será paga, no futuro, pelas próximas gerações que deverão ter suas riquezas tributadas a maior para fazer face aos pagamentos das dívidas futuras que vencer-se-ão a longo prazo.
Em outras palavras, a conta será paga pelas novas gerações já que as gerações atuais vão tomar para si o encargo de garantir a sobrevivência das nações (espécie humana como um todo, nesse caso), da economia e do modelo atual de produção, preservando-os e guardando-os para as gerações futuras poderem então desenvolver-se sem maiores sobressaltos no contexto civilizatório mundial que já dura desde os tempos em que o homem domara a agricultura nos vales dos rios Tigre e Eufrates na antiga Babilônia
E é aí que entra em perspectiva o que ousamos denominar como uma “Nova Governança” que terá então de ser preparada, forjada, pelas gerações atuais para que as gerações futuras, então, a partir de um novo “pacto social” notadamente “Keynesiano”, projete no tempo as condições necessárias a se forjar uma nova ordem mundial que preserve as conquistas da civilidade e que, a partir desse novo paradigma de governo (Governo aqui entende-se por “Governança”, Estado), possa então recriar as condições para o reflorescimento do modo de vida da sociedade internacional como um todo, aos moldes do que a governança do pós-segunda guerra mundial de 1.945 tem desempenhado até aqui.
E claro, essa “Nova Governança” impactará todas as esferas da sociedade e, portanto, todas as organizações humanas e empresariais, manifestando-se e moldando-se então, a partir da reconstrução a ser feita das sociedades e Estados-Nação a partir do novo modelo “Keynesiano” de sociedade que emerge das ações de combate à pandemia.
Enfim, apesar de parecer “mero exercício de futurologia” – inapropriado e até mesmo difícil de se realizar num momento como esse – a nossa afirmação se baseia em modelos e planos “Keynesianos” já aplicados em situações similares desde o New Deal[4] de Franklin Delano Roosevelt que reconstruiu os Estados Unidos da América após a crise de 1.929, quanto a partir do Plano Marshall[5], de reconstrução da Europa e do mundo ocidental, após a Segunda Grande Guerra Mundial.
A partir então dessas premissas tentaremos “navegar” por estes “mares revoltosos” nas páginas de youShare.online, de modo a trazer para as famílias empresárias e empresas familiares o que, em nosso entendimento, então, se construirá nessa “Nova Governança” a ser cunhada e construída a partir do momento que a vida e o destino da humanidade se encarregou, através de um vírus, de mandar “às favas” todas as políticas e conceitos liberais que até então vinham vicejando no mundo e, especialmente, no Brasil, após a eleição do Capitão Bolsonaro para a Presidência da República.
Até lá!
[1] Adam Smith foi filosofo e economista nascido na Escócia no século XVIII e tido por um dos ícones do pensamento liberal econômico.
[2] John Maynard Keynes (1883-1946) foi um economista que, na primeira metade do século XX, exerceu grande influência tanto em relação ao pensamento econômico e à economia de seu país, a Grã-Bretanha; como em relação ao pensamento econômico nos Estados Unidos da América e no mundo.
[3] Vide meu último artigo publicado na plataforma.
[4] Plano ambicioso de recuperação econômica dos Estados Unidos da América implementado no governo do Presidente Franklin Delano Roosevelt e que teve por finalidade a recuperação econômica do país após a grande depressão iniciada com crise de 1.929
[5] Plano econômico de recuperação/reconstrução da Europa concebido pelo General dos Estados Unidos da América chamado George Catlett Marshall e financiado pelo governo dos Estados Unidos da América logo após o término da Segunda grande Guerra mundial.[:]