[:pt]Discutimos até aqui o que significa Governança e sua importância para a sustentabilidade das organizações empresariais e, inclusive, das famílias que as controlam, para na sequência tratar de como fazer para implementá-la e promovê-la, concluindo que, no final das contas, tudo passa por uma atitude dos líderes da família empresária e da própria organização empresarial em relação ao tema Governança.
A definição de promover a governança significa garantir a perenidade e sustentabilidade da organização, protegendo-a dos desafios externos que são inexoráveis às conjunturas econômicas e, sobretudo, dando às pessoas que estão em seu entorno o conforto necessário para enfrentar os desafios da continuidade de seus negócios e de suas vidas, com mais certezas do que incertezas.
Nesse contexto, vimos então que a implementação da Governança é, sobretudo, decorrente da atitude de querer, buscar, submeter-se às regras de convivência criadas e legitimadas em prol da coletividade, ou seja, de todos aqueles membros e integrantes da organização, incluindo o exemplo, por parte dos líderes da organização familiar-empresarial, de observá-la como a “estrada” a ser trilhada para a garantia do presente e do futuro das organizações empresariais, dos indivíduos e demais stakeholders.
Assim, a atitude de governança se traduz na ferramenta principal, no fio condutor da liderança e gestão da família empresária e, por sua vez, das organizações empresariais na busca da perenidade e do que denominados de “Processo de Governança”[1], que por sua vez determinará o sucesso e a continuidade das organizações empresárias familiares e da própria família empresária.
Dito isso, chegamos ao dilema que examinaremos nesse artigo: quando, então, iniciar a implementação do Processo de Governança nas organizações empresariais familiares? Já dizia a sabedoria popular, dos mais experientes, dos
mais velhos: é muito melhor escolher a ser escolhido!
Por que esperar um fato natural, como o falecimento de algum líder na família empresária ou a necessidade de substituir-se um comando empresarial desgastado, para tomar a atitude de buscar a Governança ou o Processo de Governança? Por que não iniciar desde já, desde as atitudes mais básicas do dia a dia da empresa, envolvendo os familiares no negócio, nas decisões estratégicas em torno do negócio e até mesmo os empregados nesse processo, nas regras a serem adotadas para as tomadas de decisões estratégicas e até mesmo operacionais? Qual seria o prejuízo da empresa? O que a organização teria a perder com essa atitude posta no dia a dia da empresa, desde sempre?
Por outro lado, o que a organização empresarial e/ou a família teria a ganhar? Segurança e certeza na tomada de decisões? Minimização dos dilemas, incertezas e perdas em relação às mudanças? Busca constante do atendimento às normas da empresa e à lei, que redundaria em atendimento às normas de compliance (conformidade com a lei)? Visão de curto, médio e longo prazos bem definidas, delimitadas e enraizadas na empresa, em sua cultura empresarial e na boa prática de seus integrantes, propiciando tranquilidade na tomada de decisões e minimização das dúvidas, dilemas e conflitos inerentes a todo processo de mudanças? Trade-off positivo em relação ao tempo e visão unívoca na tomada de decisões?
Enfim, claro que existem razões para se defender um regime totalitário, concentrado e centralizador na tomada de decisões empresariais-familiares vis-à-vis o custo do compliance e do Processo de Governança que significam, ao fim e ao cabo, mais investimento de tempo e recursos na discussão e solução das questões e dilemas da empresa familiar e da família empresária.
Entretanto, a democratização do poder empresarial-familiar e o desprendimento das lideranças empresariais e familiares, se bem-sucedidas nesse esforço, fazem com que suas organizações ganhem como grande prêmio a perenidade e a sustentabilidade de seus negócios no curto, médio e longo prazos, verdadeiros objetos do “Processo de Governança”.
Assim, se você empresário, líder de uma organização empresarial ou de uma família empresária compreende que os ganhos da Governança superam em grande escala as eventuais perdas da inserção da família e da empresa familiar no Processo de Governança, comece desde hoje a implementá-lo em sua organização, adotando uma atitude positiva e de completa integração às normas de Governança da entidade e/ou organização que lidera.
Tenha atitude de um verdadeiro líder e comece agora mesmo a implantar a Governança da sua organização!
[1] Vide artigo publicado nessa mesma plataforma em 08/07/2019, de nossa autoria, intitulado: “Governança II, a missão! Como fazer para que a minha empresa estabeleça um bom processo de governança?”[:]